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segunda-feira, 24 de março de 2008

Sim, mas não

Pensei e não falei
Ouvi, mas me esqueci
Senti, mas não chorei
Deitei e não dormi

Entendi, mas não agi
Voltei e não te vi
Abri e não fechei
Sonhei e não vivi

O futuro do pretérito
Pretende, mas não realiza
Do passado se segue ao futuro
Em frente o presente figuro
Cada vez, vazia e vã
Traz-me de volta ao divã

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Morena Contraste

Às vezes deixo de te beijar
Só para te olhar, morena
Contrastando com meu travesseiro
Teus cachos, tua pele, teus olhos castanhos
Volto a repetir a mesma cena
Gosto do jeito que me olhas, menina
És bonita por baixo, por cima
Vôo longe, me perco, absorto
Vou e volto envolto nesse encanto

Ao meu redor

Eu questionando minha felicidade
E às ruas pessoas na simplicidade
Uns caminhando de bengalas
Outros vivendo em senzalas

Pior é a repugna ao diferente
De chapas e rindo do sem-dente
Como se houvesse o errado e o certo
O normal, o patético esperto

Não quero grandiosidade nos pensamentos
O respeito substitui valores rebentos

Reciprocidade a sua volta

A inspiração vem dos momentos de contemplação
No encontro de elos, a sincronicidade em ação
Não há evolução sem reflexão
Não fuja do que lhe é oferecido
Esteja bem mesmo consigo
E encontrará muito a seu respeito
Não há como fugir desse efeito
Ninguém é feliz olhando para fora
Mas enxergando si mesmo a sua volta
Respostas são achadas dentro de nós mesmos

Amor à vaidade

Quem é você que me desfaz sem saber
Joga minha realidade à vaidade
E mesmo assim não me deixa esquecer
Quem é você que toca em si
Quando a música é em mi(m)
Quem procura com os olhos, o que se enxerga com o coração
Só colhe frutos plantados de uma desilusão
Eu queria que tudo limpasse
Numa chuva que se pega sem querer
Desfazendo esse total impasse
Mostrando o bom de viver

terça-feira, 12 de junho de 2007

Arco-íris

Um arco-íris, quanto mais se desmembra
Mais beleza dele é tirada
Quanto mais se relembra
Mais o torna obra inacabada
Longe ou perto
Tempo incerto
Vento leva, vento trás
Sua beleza nunca se desfaz
Imitado, distorcido
Sempre foge, ao menor perigo
Valorizado, desinibido
Sempre olha para seu umbigo
Refém do medo
Escapa cedo
Dono do trono
De todos tira o sono
Invejado pela destreza
Seu surgimento, incerteza.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Sou artista

Sou artista, vejo o mundo diferente
Detesto horários, padrões referentes
Sinto necessidade de me expressar
A pertinência das idéias se fará explicar
A mística dos mitos de uma realidade normal
Me angustia essa crença no bem e o mal
Preciso da liberdade pra ser criativo
Quero ser único, mas também compreendido